Este ensaio foi publicado pela primeira vez na Edição 145 da revista Top Gear (2005).
Contexto: a vitória no GT500 e o Nissan 350Z S-Tune GT
Um ciclista encharcado em suor encosta ao meu lado, de boca aberta e mãos no ar, a gesticular sem parar. Está a absorver os gráficos berrantes deste 350Z, a pintura branca pérola com um brilho bem anos 80 e o kit de carroçaria completamente indiscreto. Claro, está a contemplar a asa ajustável pousada na traseira que antes tinha linhas bonitas, inspirada na do carro de competição que venceu, no ano passado, o campeonato japonês de turismos GT500 - precisamente o triunfo que a Nissan Motorsports International (Nismo) assinala ao criar este 350Z S-Tune GT.
Ou então não. “I****a!”, grita ele pela janela aberta, antes de arrancar a pedalar.
Fico picado por uns instantes e decido, com afinco, tentar “explicar-lhe” as restantes alterações deste carro. Por exemplo, as saídas de escape mais generosas, que debitam efeitos sonoros quase tão subtis como o visual exterior quando se sai do repouso. Há ainda condutas de admissão em fibra de carbono com maior caudal, novas árvores de cames de admissão e escape, volante do motor aligeirado, parafusos das bielas reforçados e uma embraiagem melhorada; no total, o motor ganha apenas 20bhp e passa a esticar até um limite mais agressivo de 7,200rpm. O ciclista depressa fica para trás, engolido por uma nuvem de gasolina super sem chumbo parcialmente queimada, enquanto eu desapareço.
Motor e escape: mais vontade a subir de rotação
A sensação ao volante é de um aumento de velocidade muito maior do que a Nismo admite. O motor sobe de rotação com mais facilidade, parece mais macio e, acima das 4,500rpm, oferece um golpe extra de aceleração, bem mais cortante. Tudo isto cheira a um trabalho de engenharia meticuloso, quase obsessivo. E, para surpresa, em andamento constante o escape baixa o tom para um zumbido discreto em segundo plano.
Chassis, jantes e travões: mais aderência sem perder compostura
O mesmo cuidado vê-se noutros pontos: jantes de 19 polegadas, mais molas e amortecedores novos, acompanhados por uma descida de 20mm na altura ao solo. À primeira vista parece simples, mas, além do ganho de aderência e da redução dos movimentos de carroçaria, o que mais impressiona é a forma como o Z mantém equilíbrio e flexibilidade em estradas degradadas.
Até nos travões há um toque de civilidade: os discos Brembo maiores e com ranhuras vêm com pastilhas que incluem “um agente de polimento para suprimir ao máximo ruídos indesejados”, como se lê no folheto da Nismo.
O lado menos conseguido: habitáculo, custo e excessos visuais
Infelizmente, os bancos forrados a Alcantara são pequenos demais para a maioria dos condutores, o custo total se optasse por importar um 350Z S-Tune para cá chegaria às £50k, e o spoiler frontal ridículo, juntamente com as falsas condutas de arrefecimento dos travões, provam como meia dúzia de plásticos mal pensados conseguem arruinar a imagem de um carro que, de resto, tem um desenho muito limpo e bem recortado.
Parado num semáforo, o ciclista volta a alcançar-me. “Ainda és um i****a”, articula ele, sem som. A verdade é que me está a custar discordar.
Veredicto: Em termos mecânicos, seria uma excelente base para um 350Z MkII. No capítulo visual, é melhor esperarem que não...
3,5 litros V6
296bhp, RWD
0-60mph (0-96 km/h) em 4,9 s, velocidade máx. c.155mph (c. 249 km/h)
1,545kg
£50,000 (est)
Texto: Peter Grunert
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