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Mini Remastered Oselli Edition: pequeno, rápido e caro

Carro clássico Mini Cooper preto com detalhes vermelhos a fazer deriva em pista molhada e céu nublado.

Finalmente, algo pequeno e rápido!

Sim. Se for como nós na Top Gear, já deve estar farto de ver os carros modernos a ficarem mais rápidos, é verdade, mas também maiores, mais pesados, mais obtusos e cada vez mais desligados do acto de conduzir. Provavelmente anda a apetecer-lhe algo compacto, barulhento e fácil de atirar para dentro das curvas; algo que não precise de potência absurda para o pôr a andar depressa, com um sorriso parvo estampado na cara. Pois bem: este pequeno malandro às riscas chama-se Mini Remastered Oselli Edition e aparece para nos devolver a fé nos carros rápidos.

Sem stress. Quem é que o faz?

Este trabalho nasce em Silverstone, pelas mãos da David Brown Automotive, que há alguns anos vem a produzir Minis restomod de gama alta sob a designação Mini Remastered. Só que aqui o assunto muda de figura: esta é a variante de alto desempenho, desenvolvida em conjunto com os especialistas de preparação de motores Mini da Oselli, e limitada a uma série de apenas 60 unidades.

Vá lá, conte-nos as melhorias suculentas…

Certo, comecemos pelo motor A Series. A cilindrada cresce para 1450 cc, recebe dois carburadores SU, alterações internas de peso e passa a debitar 125 bhp às 6.200 rpm e 113 ft-lb de binário às 4.500 rpm… pode não soar a muito, mas conduzi um BMW X7 outro dia e o porta-luvas era maior do que isto. Por isso, o 0-100 km/h faz-se em 7,8 segundos. Outra vez: não é nada que o faça escrever para casa, mas quando vai tão perto do chão, tão envolvido no processo e tão habituado aos carros modernos que o isolam do mundo cá fora… parece muito, muito mais rápido do que isso.

E não é só o motor que foi mexido. Há diferencial autoblocante, travões AP Racing, jantes de 13 polegadas com pneus mais largos, suspensão Bilstein ajustável, um escape desportivo mais ruidoso e de fluxo mais livre, e uma caixa manual de cinco velocidades.

E as opções de personalização?

Por fora, escolhe a cor base - cinzento ou branco - e depois aponta para apontamentos em vermelho, azul ou verde. A tampa do motor em liga fundida vem pintada a condizer com a faixa exterior e leva uma placa de construção exclusiva. O “60” na grelha assinala os 60 anos desde que o Mini original começou a ser produzido (na verdade, isso foi em 2019, quando este modelo foi anunciado pela primeira vez) e nota-se também um tema mais “escurecido”, com cromados negros aplicados com generosidade nos espelhos, na tampa do depósito e nos aros dos faróis. Para que conste, ainda não me decidi sobre aquelas luzes traseiras.

E por dentro?

A grande escolha é simples: quer um quatro lugares ou um dois lugares como este? Se for corajoso, fica com bancos tipo baquet, cintos de quatro pontos e uma gaiola de proteção atrás, forrada a pele - tenho a certeza de que terá muito tempo para a apreciar se acabar a dar cambalhotas pela berma dentro. Também há contradições: um ecrã central com compatibilidade Apple CarPlay… e um afogador manual. Ainda assim, é difícil apontar o dedo ao empenho da David Brown. Sempre que há oportunidade para usar Alcantara, metal serrilhado e painéis a condizer com a cor, eles aproveitam sem hesitar.

Chega de adornos: como é que isto se conduz?

O resultado é… misto. À chuva, o carro entra na festa com vontade: faz piruetas de travão de mão só porque sim, escorrega para dentro e depois usa o diferencial para se agarrar e sair das curvas, enquanto faz um barulho descomunal em todo o lado. No seco, porém, sente-se mais macio do que a ficha técnica promete; o intervalo entre mexer no volante e a frente reagir parece longo demais.

Essas são as pinceladas gerais, mas nos detalhes há muito de bom. A manete da caixa encaixa com precisão deliciosa, a posição de condução é Mini no seu estado puro (joelhos algures perto das orelhas) e existe aquela sensação fantástica de que está a “vestir” o carro, não apenas sentado dentro dele.

Fica ali, a oscilar no fio da navalha entre diversão brilhante e oportunidade perdida. É um divertimento fresco e atrevido, não me interprete mal. Mas se por um lado é cru e mecânico, por outro é demasiado macio. Parece indeciso, preso entre ser um pequeno luxo e um rafeiro de pista. E esse não é o único problema…

É aqui que nos diz o preço?

Exactamente. A versão de quatro lugares começa em £118.000; o dois lugares arranca nos £130.000… e não, não é dia 1 de Abril. Já sabíamos que os Minis da David Brown nunca foram baratos, mas £130k? Isso é absurdo, e quando se sabe esse número não dá para o apagar - e, por isso, começa-se a avaliar o carro com uma régua completamente diferente. De repente, peças retrabalhadas mas “de prateleira”, como o volante, já não parecem estar à altura. Por este dinheiro, eu queria o meu talhado num lingote de ouro maciço.

Acerta ou falha?

Percebe-se onde é que o dinheiro foi parar: o nível de acabamento impressiona e a ideia merece aplauso… mas na condução não entrega o suficiente para justificar um preço tão tresloucado. A verdade é que pode escolher isto ou um Porsche 911 Turbo novo, o que significa que está a ser apontado directamente a clientes com mais dinheiro do que juízo.

Fica uma sugestão: que tal uma David Brown Budget Edition, por £30-£40k, com menos brincos e mais atenção ao chassis? Isso, sim, era serviço.

Fotografia: Jonny Fleetwood

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