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Primeiras impressões do novo Range Rover

Interior de carro de luxo com bancos de couro bege e detalhes em madeira no painel e console central.

O que é isto, um eclipse?

Não - estamos apenas parados em frente ao gigantesco novo Range Rover.

Ao vivo até tem bom aspecto, não tem?

Tem, sim - e as fotografias não lhe fazem justiça. É grande, claro, mas tem linhas esculpidas e uma presença com intenção. A traseira, em particular, parece muito mais firme e bem resolvida do que nas imagens de imprensa, onde chegava a parecer algo descaída. Os vidros nivelados e a carroçaria alisada impressionam mesmo. Agora, se conseguirmos contornar algumas das pessoas no evento de apresentação do Range Rover, dá para o ver de mais perto.

E por dentro, como é?

Mal se abre a porta, percebe-se logo o cuidado de engenharia aplicado ao automóvel. O metal nas portas foi prensado fino, quase como massa de ravioli, ao longo das arestas, e combinado com tiras generosas de borracha. Em teoria, servem para ajudar a atingir a capacidade de passagem a vau de 900 mm e evitar infiltrações; na prática, ainda trazem o benefício adicional de aumentar o requinte e cortar bastante o ruído de rolamento. E, como seria de esperar num modelo tão luxuoso, as portas do Range Rover foram pensadas para fechar com aquele “tum” sólido - e nem sequer é preciso estar a tocar nelas, graças ao novo fecho eléctrico.

Já sentado a bordo, a posição parece um pouco mais elevada do que se imagina, mas a versão SV que fomos espreitar está especialmente caprichada. O habitáculo é enorme: na segunda fila há mais de 1 metro de espaço para as pernas, o suficiente para reclinar a cadeira e aproveitar a alcatifa bem felpuda (talvez valha a pena levar pantufas).

Hoje em dia, para quem tem dinheiro, exibir consciência ecológica conta - e por isso a Land Rover está a dar grande destaque aos materiais sem couro disponíveis para o carro. Ainda assim, em nenhum momento dá a sensação de estar a abdicar de algo.

Há muitos brinquedos com que brincar?

Os passageiros de trás, no novo SV, podem nem chegar a passar tempo com os ecrãs de infoentretenimento de 13,1 polegadas e os auscultadores com cancelamento de ruído incluídos. O pequeno painel táctil na consola central traseira, por si só, dá para entreter durante horas.

A partir daí, dá para regular os bancos e as suas funções de aquecimento e massagem, accionar electricamente o apoio de pés ou ver uma mesa a sair, com suavidade, do seu esconderijo. Uma equipa passou dois anos a afinar apenas esta consola - e o trabalho nota-se de imediato.

Noutro toque surgem os porta-copos; carregando novamente noutro ecrã, uma tampa atrás do ombro desliza para o lado e revela o frigorífico a bordo, grande o suficiente para levar uma garrafa de champanhe e dois copos.

Há mais algum pormenor especial?

O Range Rover faz questão de destacar a sua Suite de Evento na Porta da Bagageira: a mala abre e, com alguma manobra de um painel no piso, transforma-se num verdadeiro assento com encosto almofadado. Foi concebida para suportar até 350 kg e inclui ainda altifalantes na própria tampa da bagageira e iluminação extra para criar ambiente. Ideal para ver um jogo de polo.

Devo comprar um?

Normalmente, aconselharíamos a esperar até conduzir o carro - ou pelo menos até serem anunciados os preços -, mas num Range Rover isso dificilmente impede alguém de avançar. Compras de luxo como esta nem sempre são decisões racionais (há, por exemplo, melhores todo-o-terreno, ou sete lugares mais baratos); o que o distingue é a sofisticação e a imagem exclusiva. Ainda assim, dentro do que pode ser “racional” num automóvel de luxo, à primeira sentada o Range Rover parece cumprir todos os requisitos certos.


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